Nos últimos anos, a tecnologia passou a fazer parte de praticamente todas as etapas de uma negociação imobiliária. Hoje, é possível conhecer um imóvel sem estar fisicamente nele, comparar preços em poucos minutos, utilizar ferramentas de inteligência artificial, acompanhar documentos digitalmente e até encontrar novas formas de acesso a produtos relacionados ao mercado imobiliário.
Essa transformação criou um mercado mais conectado.
E isso muda também a maneira como compradores, vendedores, proprietários e profissionais do setor tomam decisões.
A primeira grande mudança: o imóvel ficou mais digital
A transformação digital não significa que o imóvel deixou de ser um bem físico.
Uma casa continua sendo uma casa. Um apartamento continua tendo endereço, condomínio, escritura e registro.
O que mudou foi tudo o que acontece ao redor dele.
Hoje, um imóvel pode ser apresentado por meio de fotos profissionais, vídeos, visitas virtuais e ferramentas digitais. Informações sobre localização, características da região, histórico de preços e condições de negociação podem ser pesquisadas antes mesmo de uma visita.
O consumidor passou a chegar à negociação muito mais informado.
E isso representa uma mudança importante para todo o mercado.
As proptechs aceleraram essa transformação
Por trás dessa mudança existe um ecossistema cada vez maior de empresas de tecnologia voltadas para o mercado imobiliário e da construção.
São as chamadas proptechs e construtechs.
Elas desenvolvem soluções para diferentes etapas do setor: compra e venda, aluguel, gestão de imóveis, análise de dados, crédito, seguros, documentação, administração de condomínios, construção e relacionamento com clientes.
O levantamento mais recente da Terracotta Ventures identificou 1.232 startups no ecossistema brasileiro de construtechs e proptechs.
Mais do que um número, esse crescimento mostra que tecnologia e mercado imobiliário deixaram de ser áreas separadas.
Hoje, elas caminham juntas.
A segunda mudança: informação deixou de ser privilégio
Quem procura um imóvel atualmente tem acesso a uma quantidade de informação que seria difícil imaginar alguns anos atrás.
É possível pesquisar preços, comparar bairros, verificar características dos imóveis, conhecer a infraestrutura da região e acompanhar tendências do mercado antes de tomar uma decisão.
Isso trouxe mais autonomia para o consumidor.
Mas também trouxe uma nova responsabilidade.
Ter muita informação não significa necessariamente ter a informação correta.
Um anúncio pode estar desatualizado. Uma fotografia pode não representar exatamente a realidade atual do imóvel. Um preço pode estar fora do padrão da região. E uma informação encontrada nas redes sociais pode simplesmente estar errada.
Por isso, tecnologia e informação precisam vir acompanhadas de verificação.
A terceira mudança: inteligência artificial entrou no mercado imobiliário
A inteligência artificial também começa a transformar o setor.
Ferramentas de IA podem auxiliar na análise de dados, produção de anúncios, atendimento, organização de informações, estimativas e diversas outras atividades.
Para o consumidor, isso pode significar respostas mais rápidas e acesso facilitado a informações.
Para o profissional imobiliário, pode representar ganho de produtividade e novas ferramentas para compreender melhor o mercado.
Mas existe um limite importante:
a inteligência artificial pode ajudar na análise, mas não substitui a responsabilidade profissional nem a segurança jurídica de uma negociação.
Uma ferramenta pode identificar padrões em dados, mas uma compra e venda envolve documentos, direitos, obrigações, pessoas e situações que precisam ser analisados dentro de seu contexto.
E as novas formas de acesso ao mercado?
A tecnologia também criou novas possibilidades relacionadas ao mercado imobiliário.
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), por exemplo, permitem que pessoas tenham acesso a investimentos ligados ao setor por meio da aquisição de cotas negociadas no mercado.
O crowdfunding de investimento também permite a participação em determinadas ofertas por meio de plataformas eletrônicas. No Brasil, esse mercado é atualmente disciplinado pela Resolução CVM 88, embora a Comissão de Valores Mobiliários esteja trabalhando em uma nova regulamentação para o segmento.
Outro conceito que ganhou espaço é a tokenização.
Por meio da tecnologia blockchain, determinados direitos ou estruturas de investimento podem ser representados digitalmente por tokens.
Mas é importante não simplificar o conceito.
Tokenização não significa necessariamente transformar um imóvel em pequenas "partes digitais" que representam diretamente a propriedade daquele imóvel.
A estrutura jurídica depende de cada operação e, quando o token se enquadra como valor mobiliário, pode estar sujeito à regulamentação da CVM.
Ou seja: a tecnologia pode mudar a forma de representar e negociar determinados ativos ou direitos, mas a segurança jurídica continua sendo fundamental.
Mais tecnologia não significa menos cuidado
Essa talvez seja a principal lição desse novo mercado.
Quanto mais fácil fica acessar informações e realizar operações, maior precisa ser o cuidado antes de tomar uma decisão.
Antes de comprar, vender, alugar ou investir, é importante verificar a origem das informações, analisar documentos e entender exatamente o que está sendo oferecido.
No caso de operações relacionadas ao mercado de capitais, também é importante verificar a regulamentação aplicável e quem está por trás da oferta.
E existe uma regra que continua valendo mesmo em um mercado cada vez mais tecnológico:
se a promessa parece boa demais para ser verdade, pare e investigue antes de seguir.
O corretor também está mudando
A transformação digital não elimina a importância do profissional imobiliário.
Pelo contrário.
Quando o consumidor tem acesso a milhares de anúncios e informações, o papel do profissional pode se tornar ainda mais importante.
O corretor deixa de ser apenas alguém que apresenta imóveis.
Ele pode atuar como um filtro de informações, ajudando o cliente a interpretar dados, comparar alternativas, identificar oportunidades e conduzir o processo com mais segurança.
A tecnologia pode acelerar o trabalho.
Mas confiança, conhecimento do mercado, negociação e responsabilidade continuam sendo humanas.
O que esperar dos próximos anos?
O mercado imobiliário continuará incorporando novas tecnologias.
Inteligência artificial, realidade virtual, automação, blockchain, análise de dados e plataformas digitais tendem a fazer parte cada vez mais do cotidiano de quem compra, vende, aluga ou administra imóveis.
Mas isso não significa que o mercado imobiliário será totalmente digital.
Afinal, por trás de cada imóvel existe uma pessoa.
Existe uma família procurando uma casa, alguém realizando o sonho do primeiro apartamento, um proprietário buscando segurança para alugar seu patrimônio ou uma empresa procurando o espaço adequado para crescer.
A tecnologia pode tornar o caminho mais rápido.
Pode facilitar o acesso à informação.
Pode reduzir burocracias.
Pode criar novas possibilidades.
Mas a decisão continua sendo humana.
Um mercado mais conectado exige escolhas mais conscientes
O mercado imobiliário está passando por uma transformação profunda.
O imóvel continua sendo físico, mas a jornada até ele está cada vez mais digital.
Hoje, informação, tecnologia e conectividade fazem parte da negociação tanto quanto localização, preço e documentação.
A grande mudança talvez não esteja apenas na tecnologia.
Está na forma como as pessoas passaram a tomar decisões.
Pesquisar antes de visitar.
Comparar antes de negociar.
Verificar antes de confiar.
Analisar antes de decidir.
Esse é o novo comportamento de quem participa de um mercado imobiliário cada vez mais conectado.
A tecnologia abriu novas portas. Mas segurança, informação e boas decisões continuam sendo o que realmente importa.
Amanda Lopes | Corretora de Imóveis — CRECI-MG 30.422.
Atendimento consultivo em Juiz de Fora.
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