Há cidades que simplesmente existem. E há cidades que nascem com propósito. Juiz de Fora é do segundo tipo, e o propósito dela tem endereço: Portugal.

O caminho do ouro

Por volta de 1703, a Coroa Portuguesa mandou abrir uma estrada que mudaria a história de Minas: o Caminho Novo. Ele ligava a região das minas, com centro em Vila Rica, atual Ouro Preto, ao porto do Rio de Janeiro. O objetivo era um só: garantir que o ouro extraído em Minas chegasse a Lisboa, com os tributos pagos, longe dos descaminhos. Às margens dessa estrada surgiram postos de fiscalização, hospedarias, armazéns e povoados. Um deles daria origem à nossa cidade.

O nome que veio de Portugal

O nome Juiz de Fora não é de pessoa. É um cargo. Em Portugal, desde 1327, o rei nomeava magistrados "de fora parte": juízes vindos de fora da localidade, justamente para julgar com isenção, sem laços com as famílias e os poderosos da região. A história que se conta aqui é a de um desses juízes, aposentado, que comprou terras às margens do Caminho Novo e viveu na Fazenda Velha. Os moradores dos povoados vizinhos iam até lá fazer compras e diziam: "vou ao Juiz de Fora". O apelido pegou. Em 1865, virou o nome oficial da cidade.

Pense no simbolismo: uma cidade cujo próprio nome carrega a ideia portuguesa de ordem, direito e justiça vinda de fora. Juiz de Fora é filha do sistema jurídico português.

Três vidas: Manchester, Princesa e Atenas

Quando o ouro acabou, Juiz de Fora não morreu. Ela se reinventou, e mais de uma vez.

Foi a Manchester Mineira: em 1889, o industrial Bernardo Mascarenhas inaugurou a Usina de Marmelos, a primeira hidrelétrica da América do Sul, quando Belo Horizonte nem existia ainda (só seria fundada em 1897). Com energia barata, vieram as fábricas têxteis e a cidade se tornou o polo industrial de Minas.

Foi a Princesa de Minas: elegante, iluminada e culta, com teatro, colégios renomados e qualidade de vida que impressionava o Império.

E é a Atenas de Minas: sede da Universidade Federal de Juiz de Fora, uma das melhores federais do país, o que garante mão de obra qualificada e uma demanda constante por moradia de estudantes e professores.

A cidade que exporta talentos

De uma cidade que nasceu às margens do caminho do ouro saíram Itamar Franco, criado aqui e prefeito da cidade, que como presidente sancionou o Plano Real; o poeta Murilo Mendes, que Portugal estuda nas universidades; Rubem Fonseca, ganhador do Prêmio Camões, o maior prêmio da língua portuguesa; Pedro Nava; e Tostão, craque da Copa de 1970.

O centro do triângulo mais rico do Brasil

Juiz de Fora está a cerca de 190 km do Rio de Janeiro, 280 km de Belo Horizonte e 460 km de São Paulo, cortada pela BR-040, com aeroporto regional e malha ferroviária conectada ao Porto do Rio. Grande parte da economia brasileira gira num raio de 500 km ao redor da cidade. Não somos interior de Minas: somos o centro logístico do Sudeste.

O caminho inverso

Há 300 anos, o ouro saía daqui para Lisboa. Hoje, eu faço o caminho inverso: trago para Juiz de Fora investidores que olham para o Brasil com a segurança de quem conhece nossa origem. Esta é a ponte Brasil-Portugal que estou construindo, e ela começa por conhecer a história.

Nos próximos dias, vou abrir essa ponte de vez em um encontro online com convidados de Portugal. Se você é corretor(a) e quer somar nessa jornada, me acompanhe por aqui: a próxima semana promete.

Toda quinta-feira tem artigo novo aqui no blog com análises do mercado imobiliário.

Amanda Lopes | Corretora de Imóveis — CRECI-MG 30.422. Atendimento consultivo em Juiz de Fora. Para comprar, vender ou avaliar, entre em contato.

Fontes consultadas: